Mobirise

Mulher faz ensaio fotográfico de gestante com barriga falsa

Em 2013 a ausência de informação levou mais uma vida: uma gestação de 8 meses chamada João. Carol Oliva, a mãe enlutada, foi diagnosticada com trombofilia, uma tendência à ocorrência de eventos trombóticos venosos, que ocasiona uma hiper coagulação no sangue, obstruindo os vasos sanguíneos da placenta e impedindo que chegue os nutrientes e a oxigenação necessária para o bebê.

No mesmo ano, Carol engravidou pela segunda vez. Gerava o Rafael, e junto com ele a esperança, a apreensão, a ansiedade, a fé, o repouso absoluto e 300 injeções de anticoagulante.

Para marcar este momento de superação ela combinou com a fotógrafa D' Santos para ir até a sua casa fazer um ensaio fotográfico. No entanto, não houve tempo, a bolsa havia rompido um dia antes do ensaio marcado. Era o Rafael, de 34 semanas, reclamando a vida extrauterina.

Quatro anos depois da vinda do Rafael, Carol Oliva, hoje uma das maiores representantes do Brasil na luta por fornecer informações preventivas sobre a Trombofilia - tendência que acomete milhares de mulheres ao ano - e também sobre como passar pelo luto da melhor forma, resolveu vivenciar um momento simbólico da gestação, fazendo um ensaio fotográfico com uma barriga falsa, com a mesma fotógrafa que não havia conseguido realizar o ensaio, quando estava grávida.

Carol foi convidada pela fotógrafa para personificar este inédito projeto fotográfico, intitulado "Viver de novo" pelas óbvias circunstâncias vividas. Trata-se de um resgate de sentimento não vivenciado, o direito de se sentir plena com a vida. É também uma forma delicada de homenagear a ausência física do seu filho João, agradecer a vinda do seu segundo filho Rafael e o apoio de toda a sua família e amigos nos momentos vividos de profunda dor.

Este projeto quer mostrar que é possível ser feliz após um luto de um filho tão amado, solidarizando com histórias semelhantes, mas propõe ir além, dar visibilidade e ampliar as discussões e seus desdobramentos sobre a trombofilia e sobre tudo o que envolve o processo de elaboração de luto de um natimorto. É importante disseminar a informação sobre uma doença silenciosa, que quando mal diagnosticada, leva vidas e deixa sequelas na alma. Enfatizando sempre que com um tratamento adequado e bem assistido é possível realizar o grande sonho da maternagem.

Neste depoimento Carol, percalça sua experiência com o luto, transita pela dor até regressar ao amor. Trafega entre sentimento de culpa pela impotência e a superação da sua angustia através da informação:

 “Quando fui convidada pela fotógrafa Denise Santos para realizar esse ensaio, fiquei imensamente agradecida e emocionada. Pois o que mais percebo, no meu dia a dia, é uma certa dificuldade de encontrar pessoas que compreendam minha necessidade de falar sobre minha história. Toda mãe tem orgulho de seu filho. Independente se ele viveu 50 anos ou se viveu somente 8 meses em seu ventre. Não é dor falar sobre ele, é amor, puro, visceral e minha família vive completamente isso junto de mim. Seu nome sempre foi e sempre vai ser falado, seu rostinho sempre será lembrado e acredito que a maioria das mães de natimortos possuem essa sensação e abertura para falar sobre seu filho. Denise me possibilitou legitimar sentimentos que antes nunca foram vividos. Junto disso, me deu a oportunidade de vivenciar um ensaio do meu segundo filho, que não foi possível, pelo seu nascimento prematuro. A morte ainda é um tabu em nossa sociedade. Falar sobre nossas vivências é terapêutico. Como psicóloga e espiritualista posso dizer isso com toda propriedade e principalmente, toda empatia. É preciso mudar a forma de falar e ensinar sobre a morte. Hoje trabalho com isso, sinto que fui capacitada para levar informação, superação e esperança e isso virou mesmo minha missão de vida.”